de vez em quando
quase sempre
encontro-me com um eu
cheio de idéias
elucubrações, dúvidas
teorias
esse eu sou eu?
que busca incessante pelo que sou
por conhecer o que quero
como desconhecemos o que queremos!
isso nos move
mas só nos restam teorias
para saber
ou perguntar
o que é "isso"?
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Tempo
O tempo ainda passa.
Somos pós-modernos
mas o tempo,
surpreendentemente,
ainda existe
dura
depois passa...
Somos pós-modernos
mas o tempo,
surpreendentemente,
ainda existe
dura
depois passa...
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Viena e as modernidades
Ano passado tive várias experiências que se articulam em representações em torno da cidade de Viena. Despretensiosamente caminhei por suas ruas, fui à casa de Freud, ouvi música, entrei em museus. O concreto todo daqueles edifícios do século XVIII me surpreendeu logo de cara. As pessoas contrastando com aquele cenário surpreenderam-me mais.A arquitetura me deixou tão embasbacada e com os olhos cheios de beleza, que julguei que deveria escolher um bom vestido, em corte clássico, para caminhar por aquelas ruas. Fiz isso e também deixava de almoçar para poder pagar um café com um pedaço de torta nas cafeterias mais chiques e antigas da cidade. Que estranho o efeito que a cidade teve sobre mim.
Ao mesmo tempo, via nas ruas pessoas simples e pobres, em geral imigrantes. Nas estações de trem e metrô, via pixações e depredações em contraste com sua modernização tecnológica.
Nos arredores do "museumsquartier", havia gente moderna, pós-moderna, aliás. Gente leve.
"concreto", "clássico", "pobres", "leve"
e agora, que cidade é Viena?
(continua)
e agora, que cidade é Viena?
(continua)
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
No último domingo fui ao "Marrocos". "Bar de velho", pensei. De fato, havia muitos "velhos". Havia também música, samba, e amor. Casais apaixonados. Velhos casais, possivelmente formados há anos, num amor que só soube fluir mais com o passar do tempo. E achei aquilo bonito. E vendo aqueles jovens senhores aproveitar seu tempo, tranquilos mesmo sendo tarde e sendo domingo, cantando maravilhosamente, dançando... me deu vontade de ser logo mais velhinha. Sentia-me feliz ali e tinha a nítida certeza de que o tempo que me espera será bom. Acho que será meu tempo...
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Artigo
link para meu "artigo completo publicado em periódico":
http://www.fundamentalpsychopathology.org/journal/v4-n1/4-8.pdf
palavras-chave: melancolia, psicanálise, existencialismo
http://www.fundamentalpsychopathology.org/journal/v4-n1/4-8.pdf
palavras-chave: melancolia, psicanálise, existencialismo
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
primeiro poema
Tempo e vento
É só dar um tempo pro tempo
Que as poesias afloram na mente
E as linhas necessárias
Se escrevem/descrevem todas
Correndo apressadas no papel
Que se desenha em verso
O vento agora
Empurra para a direita as palavrinhas
Ajudando o que está escrito dentro
A libertar-se
Para tomar um pouco de sol
Para que, talvez, iluminado o poema
Acenda-se dentro e fora
Aqui e no outro
Uma esperança
Uma glória
Uma verdade
Ou um medo.
É só dar um tempo pro tempo
Que as poesias afloram na mente
E as linhas necessárias
Se escrevem/descrevem todas
Correndo apressadas no papel
Que se desenha em verso
O vento agora
Empurra para a direita as palavrinhas
Ajudando o que está escrito dentro
A libertar-se
Para tomar um pouco de sol
Para que, talvez, iluminado o poema
Acenda-se dentro e fora
Aqui e no outro
Uma esperança
Uma glória
Uma verdade
Ou um medo.
primeiro texto
Os primeiros minutos de um dia que amanheceu-me
Ainda com as pupilas dilatadas, e com a mente sofrendo de não dormir, sentei-me na sacada para assistir o dia. Arrancava a sujeira das unhas como se tirasse os pedaços que ainda sobravam de mim. Atirava a sujeira, os meus pedaços, para o dia branco, e lindo, que começava. A moça do apartamento em frente, em sua irrealidade, abriu as cortinas. Para isso escolheu um vestido cáqui em corte reto. As rodas e os pés que passavam anunciavam a vida a começar no dia. E eu, naquele momento, felizmente ficava, enquanto os outros simplesmente iam, iam, iam... E pensar que eu era eles todos os dias, o tempo inteiro. E nem sabia por quê, nem por que ia, menos ainda por que ficava, naquele dia.
Da sacada olhava o mundo que se mexia, intensamente, fantasmagoricamente, impuro e duro como pedra, invasivo em sua frieza morna, a arrancar das almas tudo que de valioso pensavam ter. E as almas presas ora nos carros, ora nos prédios, ora nas casas, nos bares. Quadrados, retângulos sufocando as vidas, quase apagadas, quase nada. Sobrava de tudo aquilo, uma menina em pânico na sacada (mais um quadradinho que dá para um pouquinho de luz e de sol). Em pânico a menina estava, mas feliz porque acima estava, na sacada, em alma pura e solta naquele dia que lhe nascia sensorialmente quase insuportável.
O que não sabia era se seria capaz de ser alma de novo naquela temperatura-atmosfera-mundo necessariamente eficaz, naquela vida ali na calçada, na rua, que parece que não pára nunca! Como aquilo tudo não parava? Aquele som ensurdecedor, aquele movimento todo, atordoante! Para onde iam? Para onde íamos todos?
E que diferença essa que fazia de quem olhava da sacada alguém tão distante da moça que há pouco abriu as cortinas? Parecia um limite maior do que aqueles 40, 50 metros que as separavam. Limite que eu, menina, não seria capaz de alcançar, mesmo naquele momento em que os sentidos pareciam tão expandidos e ilimitáveis...
Ainda com as pupilas dilatadas, e com a mente sofrendo de não dormir, sentei-me na sacada para assistir o dia. Arrancava a sujeira das unhas como se tirasse os pedaços que ainda sobravam de mim. Atirava a sujeira, os meus pedaços, para o dia branco, e lindo, que começava. A moça do apartamento em frente, em sua irrealidade, abriu as cortinas. Para isso escolheu um vestido cáqui em corte reto. As rodas e os pés que passavam anunciavam a vida a começar no dia. E eu, naquele momento, felizmente ficava, enquanto os outros simplesmente iam, iam, iam... E pensar que eu era eles todos os dias, o tempo inteiro. E nem sabia por quê, nem por que ia, menos ainda por que ficava, naquele dia.
Da sacada olhava o mundo que se mexia, intensamente, fantasmagoricamente, impuro e duro como pedra, invasivo em sua frieza morna, a arrancar das almas tudo que de valioso pensavam ter. E as almas presas ora nos carros, ora nos prédios, ora nas casas, nos bares. Quadrados, retângulos sufocando as vidas, quase apagadas, quase nada. Sobrava de tudo aquilo, uma menina em pânico na sacada (mais um quadradinho que dá para um pouquinho de luz e de sol). Em pânico a menina estava, mas feliz porque acima estava, na sacada, em alma pura e solta naquele dia que lhe nascia sensorialmente quase insuportável.
O que não sabia era se seria capaz de ser alma de novo naquela temperatura-atmosfera-mundo necessariamente eficaz, naquela vida ali na calçada, na rua, que parece que não pára nunca! Como aquilo tudo não parava? Aquele som ensurdecedor, aquele movimento todo, atordoante! Para onde iam? Para onde íamos todos?
E que diferença essa que fazia de quem olhava da sacada alguém tão distante da moça que há pouco abriu as cortinas? Parecia um limite maior do que aqueles 40, 50 metros que as separavam. Limite que eu, menina, não seria capaz de alcançar, mesmo naquele momento em que os sentidos pareciam tão expandidos e ilimitáveis...
Assinar:
Comentários (Atom)
