quinta-feira, 19 de março de 2009

céu e sal

correr pelo deserto de sal
experiência de desconectar-se...
o deserto tira as coisas da gente
deixa longe, ausente
e o sal ainda...
sal grosso que virou terra
mar que restou sal
eu que virei nada
no sal do deserto
ou eu que virei só eu
mais nada
só sal
só céu.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tenho pensado bastante sobre a vida. Até demais. Saudade de quando eu era criança. Naquele tempo eu entendia da vida. Tão bem que até não queria crescer. Sabia que crescer não era tudo isso. E agora, bem... agora sou uma jovem, quase adulta, finalmente. E o que fazer com isso?
Observo também, por outro lado, que tem muitas coisas que, quando criança, ou quando adolescente, eu não era capaz de compreender. Não sei bem, parece que faltavam recursos do pensamento, do corpo. Faltava mais vida será? Entrei na faculdade cedo e lembro como me debati para compreender certas coisas que hoje são tão claras. Mas a clareza das coisas traz consigo uma complexidade que eu mal podia imaginar que fosse possível. Sinto que pensar hoje é uma imensidão... são tantos sistemas, complexidades, dilemas correndo na minha cabeça. E eu fico tão... perdida. Parece que antes eu podia pensar tudo que podia. Agora posso mais. Parece que é mais do que posso.
ai ai
mente cansada
cansada

ada

nada

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

de vez em quando
quase sempre
encontro-me com um eu
cheio de idéias
elucubrações, dúvidas
teorias

esse eu sou eu?

que busca incessante pelo que sou
por conhecer o que quero
como desconhecemos o que queremos!

isso nos move
mas só nos restam teorias
para saber
ou perguntar
o que é "isso"?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Tempo

O tempo ainda passa.
Somos pós-modernos
mas o tempo,
surpreendentemente,
ainda existe
dura
depois passa...
O texto abaixo está demorando para continuar, mas continua...
(provavelmente depois do final do semestre!)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Viena e as modernidades

Ano passado tive várias experiências que se articulam em representações em torno da cidade de Viena. Despretensiosamente caminhei por suas ruas, fui à casa de Freud, ouvi música, entrei em museus. O concreto todo daqueles edifícios do século XVIII me surpreendeu logo de cara. As pessoas contrastando com aquele cenário surpreenderam-me mais.
A arquitetura me deixou tão embasbacada e com os olhos cheios de beleza, que julguei que deveria escolher um bom vestido, em corte clássico, para caminhar por aquelas ruas. Fiz isso e também deixava de almoçar para poder pagar um café com um pedaço de torta nas cafeterias mais chiques e antigas da cidade. Que estranho o efeito que a cidade teve sobre mim.
Ao mesmo tempo, via nas ruas pessoas simples e pobres, em geral imigrantes. Nas estações de trem e metrô, via pixações e depredações em contraste com sua modernização tecnológica.
Nos arredores do "museumsquartier", havia gente moderna, pós-moderna, aliás. Gente leve.

"concreto", "clássico", "pobres", "leve"

e agora, que cidade é Viena?

(continua)